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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um breve histórico das dinâmicas de grupo


Um breve histórico das dinâmicas de grupo
por Camila Micheletti

A dinâmica de grupo, como forma de brincadeiras lúdicas e jogos sem pretensão de analisar aspectos comportamentais, surgiu bem antes de haver qualquer menção à estrutura organizacional das empresas e sociedade. No início de tudo o termo "dinâmica de grupo" não era utilizado. "Em Recursos Humanos lutamos, inclusive, para dissociar a palavra "brincadeira" do conteúdo técnico, pois é uma das imagens distorcidas do instrumento", afirma Izabel Failde, psicóloga, consultora em RH e especialista em Dinâmica de Grupo do Empregos.com.br.

Tudo começou no período paleolítico, com as ingênuas brincadeiras das crianças. Izabel conta que nesta fase já existem registros de desenhos nas cavernas, provavelmente retratando as guerras entre as tribos ou lutas com os animais (para subsistência). As crianças, posteriormente, imitavam os pais utilizando as armas na simulação de brincadeiras de guerra. Neste período já há impressões arqueológicas de que eles tinham consciência do jogo, usando uma bexiga de animal como bola, por exemplo. Na Idade Média, surge a idéia da simulação de situações. Os pagens simulavam uma "guerra" com as crianças, fazendo uso de arco-e-flexa e de jogos como "cabo de guerra". Nesta época já há inclusive a idéia de ganho e perda que um jogo pode causar.

Mais tarde, já na época industrial, em 1933, foi realizada uma pesquisa para verificar se o estresse e as condições estruturais das fábricas influíam no trabalho dos operários. A investigação provou que as condições de trabalho, extremamente precárias, prejudicavam e causavam fadiga nos funcionários. Com algumas melhorias, como uma iluminação adequada, os trabalhadores tiveram uma significativa melhora na performance. "Desde então foi provado que os fatores externos prejudicam na dinâmica dos grupos", diz Izabel.

O conceito de dinâmica de grupo como o conhecemos hoje surgiu entre 1935 e 1955. Em Psicologia Social, o grupo é a instância que estabelece a ligação entre o individual e o coletivo. Neste âmbito, emerge como um conceito que vai além dos indivíduos que o compõem. Como elementos centrais da definição de um grupo, pode-se destacar a interdependência funcional entre os seus membros, a partilha de um objetivo comum e a existência de papéis e normas.

Um dos teóricos mais influentes para o estudo dos grupos foi Kurt Lewin, que instituiu o termo "Teoria de Campo", porque entende que o ser humano age num mundo de forças (vetores) com cargas (valências) positivas ou negativas. A Teoria de Campo considera que não se pode compreender o comportamento do indivíduo sem se considerar os fatores externos e internos à pessoa, uma vez que estes interagem na determinação desse comportamento. Lewin foi ainda um dos criadores da Teoria da Dinâmica dos Grupos, que procura analisar, do ponto de vista interindividual, as estruturas do grupo, como o poder, a liderança e a comunicação.

Mas, afinal, o que vem a ser a dinâmica de grupo? A partir do momento que temos três ou mais pessoas se comunicando e trocando informações podemos dizer que elas estão se movimentando, aprendendo, e se há uma interação há a dinâmica. A dinâmica de um grupo é o seu movimento, e a vida deste grupo é a inter-relação entre os participantes.

Participamos e coordenamos vários grupos ao longo da vida: na escola, em casa, no trabalho... Cada grupo tem um objetivo e dinâmica próprios. Veja um exemplo: em um grupo de amigos que se encontra num sábado à noite, o objetivo maior é se divertir, trocar idéias, enfim, passar um tempo agradável ao lado de pessoas que se gosta. Por outro lado, em um processo de seleção a dinâmica é utilizada para identificar comportamentos que não passíveis de serem identificados em testes, como liderança, capacidade para atuar em equipe, entre outras competências comportamentais. Tudo depende da vaga e do que a empresa quer do candidato.

A dinâmica de grupo é usada como ferramenta com fins de aprendizagem nos Estados Unidos desde 1950. No Brasil, imagina-se que ela começou a ser utilizada em escolas e empresas na década de 70, mas não há dados que comprovem isso.

A partir de agora, você conhecerá um pouco mais sobre a finalidade, as etapas e curiosidades sobre a dinâmica de grupo como ferramenta em processos seletivos e também em treinamentos.

Confira o que os selecionadores esperam de você e
obtenha os melhores resultados

Durante o processo de seleção, a dinâmica de grupo é uma das fases que mais preocupam os candidatos. Tentar manter a calma e ser você mesmo ainda é o melhor a se fazer nesta situação. No entanto, algumas dicas podem ajudá-lo a se sentir mais seguro e obter melhores resultados.

A partir de agora, comece a prestar atenção na maneira como se comporta em família, entre os amigos, nas horas de trabalho e lazer. Analise, principalmente, as reações das pessoas ao seu comportamento. Você é bem aceito, respeitado, acatado, seguido? Como você faz isso? Explicando, negociando, dando ordens, dando feedback ou de que forma? Lembre-se que na dinâmica você será analisado justamente pelo comportamento que apresentar, por isso é importante você se conhecer e saber como pode reagir em cada situação.

Confira as dicas abaixo e veja como se destacar durante a dinâmica:

1. Preste muita atenção também aos outros participantes, em suas atitudes e comportamentos. É com eles que você vai desenvolver a atividade. Se você tem um espírito natural de líder, por que não ocupar um papel de destaque?

2. Fique atento às explicações e orientações para o trabalho a ser realizado. As informações normalmente são padronizadas, mas devem ser interpretadas à luz do que vai acontecer daí para frente. Procure entender o que alguém vai querer observar se pedir para vocês contarem o número de paetês de uma fantasia, amarrar a todos numa corda ou qualquer outra coisa que venha a ser solicitada. Libere toda a sua criatividade ou você não chegará nem aos pés da criatividade deste pessoal que inventa jogos e situações de grupo.

3. Não se esqueça de que você está em grupo e os comportamentos que serão observados valorizarão as suas relações com o grupo.

4. Não seja afoito, saindo na frente e atropelando tudo e todos . Já ouviu falar daquela história do boi de piranha? E daquela do macaco velho que não coloca a mão em cumbuca? Observe os primeiros passos de todos, mesmo que você tenha dado a iniciativa ao trabalho.

5. Não se incomode de ser observado por uma ou mais pessoas. O inverso é que é perigoso. Não ligue se alguém escreveu algo logo após a sua atuação. Pode muito bem ser positivo, por isso não sofra antecipadamente. Observadores despreparados podem rir do que está acontecendo (quem não riria ao ver um bando de marmanjos no chão fazendo algo engraçado?). Não é correto, mas... Controle-se, pois pode não ser de você.

6. Não fique perdido no desenrolar da dinâmica, seja ela uma peça de teatro, um painel de debates ou qualquer outra simulação. Seja um participante adequado o tempo todo. Muitas vezes, o último a falar é o que exerce maior influência sobre os destinos de um grupo.

7. Falar muito ou falar pouco? Não sabemos e temos receio de dizer. É uma incógnita, pois não sabemos o que será observado. Infelizmente, algumas coordenações despreparadas colocam um grupo para trabalhar e se lembram apenas daquele que falou muito, por mais besteira que tenha dito. Em outras situações, ouvimos pessoas que preferiram não falar nenhuma besteira e não foram sequer lembradas. IMPORTANTE: muitas vezes o que se espera de um candidato é que encontre alguma solução racional no meio de uma situação totalmente desconexa.

8. Solte-se e entre no jogo. Ajude o grupo a conseguir o melhor resultado em relação ao que foi pedido pelo coordenador. Procure ser decisivo para o desempenho do grupo. Desempenhe todos os papéis que você achar adequados, mas na dose certa e sempre focando o grupo. Não se esconda atrás do grupo, mas também não se distancie.

9. Deixe as avaliações para depois. Pense que você dará muitas risadas depois de tudo e poderá animar algumas reuniões com amigos e parentes com os jogos que aprendeu. Não adianta nada demonstrar que está insatisfeito, pois isto poderá contar pontos negativos para você.

10. Depois de tudo, se você quiser dar sua opinião, procure a empresa que realizou a seleção e exponha o seu ponto de vista, com segurança e dados completos. Muitas vezes, quem contrata uma empresa de seleção nem sabe direito o que vai acontecer no meio do processo.

Nunca se esqueça que você estará vivendo uma meta-realidade: não é o resultado imediato do trabalho do grupo que valerá, mas a sua capacidade de avaliar o que está acontecendo, escolher os comportamentos adequados, desempenhá-los com competência e flexibilidade e contribuir para o resultado de um grupo ou liderar um grupo na busca de um resultado.
Os 10 mandamentos da dinâmica de grupo
Confira as dicas de especialistas para ter êxito durante o processo

Por Clarissa Janini

Um dos recursos mais utilizados em seleções de emprego na atualidade, a dinâmica de grupo visa avaliar como o candidato se relaciona com outras pessoas e se suas atitudes durante o processo se adequam ao perfil da empresa e da vaga oferecida. Mas não é fácil ter sucesso em um procedimento com tantas exigências: desinibição, criatividade, pró-atividade...“A dinâmica é um instrumento muito poderoso, e que, por isso mesmo, deve ser aplicado com muito bom senso, profissionalismo, planejamento e sensibilidade”, acredita Floriano Serra, psicólogo, diretor de RH e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica, autor do livro A Terceira Inteligência (Butterfly Editora) e colunista do Empregos.com.br.

Abaixo você encontra dez dicas preciosas, elaboradas por especialistas da área de RH e consultoria de carreira, para que sua atuação em dinâmicas de grupo seja bem lembrada pelos recrutadores.


Prepare-se muito bem
Antes do momento da dinâmica, lembre-se de checar alguns pontos, como:

“Na noite anterior, antes de dormir, repasse seu currículo e a forma como você irá se apresentar” – Regina Silva, sócia-diretora do Instituto Gyraser.
“Esteja muito bem informado sobre a empresa. ‘Fuce’ o site, descubra quem são os concorrentes, em que posição está no mercado” – Carla Dalla Zanna, consultora da Marcondes & Consultores Associados.
“Chegue um pouco antes ao local para evitar aumentar sua ansiedade” – Regina Silva
Cuide da sua imagem
Uma boa apresentação começa no vestuário. Siga as dicas do consultor e coach em marketing pessoal Sílvio Celestino:

“Roupa e imagem têm de transmitir credibilidade. Uma boa dica é basear-se no vestuário de apresentadores de telejornal, como da Globo ou GloboNews. Eles possuem um departamento específico que estuda a melhor maneira de se vestir no ambiente de trabalho”;

“As mulheres devem tomar um certo cuidado, pois devem transmitir credibilidade e não sensualidade”;
“É fato que o sapato revela muito sobre a aparência da pessoa, e os recrutadores reparam nisso. Portanto, o calçado deve estar sempre impecável, parecendo novo”.
Seja honesto e protagonista
Ser você mesmo é o principal conselho de todos os especialistas ouvidos pelo Empregos.com.br.

“O mais importante é sempre falar a verdade, fruto da sua própria experiência. Você deve ser responsável por tudo o que acontecer, usar de protagonismo. Se algo não der certo, não se faça de vítima e assuma suas atitudes. Uma frase de que gosto muito, de Allan Katcher, autor de Gerenciando suas Forças, é ‘Seja quem você é e jamais lamente não ser quem você não é’” – Carla Dalla Zanna
“Seja você mesmo, pois os profissionais que estão recrutando têm um perfil que você não conhece. Se você tentar ser o que não é, terá dois problemas: poderá ser selecionado e cobrado pelo que demonstrou na dinâmica ou poderá perder a posição por não ter o perfil que eles estavam selecionando” – Regina Silva
Seja líder, não ditador
Espírito de liderança é algo que todos os recrutadores procuram nos candidatos. Deve-se tomar cuidado, no entanto, para não confundir liderança com autoritarismo.

“Na medida do possível, tente liderar a dinâmica, mostrar-se pró-ativo. Porém, se você e outra pessoa entrarem em alguma disputa pela posição de líder, deixe-a com o cargo. Isso mostra que você deseja que a atividade ande para frente e, ao mesmo tempo, o torna o próprio líder, pois é como se você tivesse delegado a tarefa ao outro”. – Sílvio Celestino
Aja de acordo com o perfil da dinâmica
Cada vaga e empresa têm características distintas – você deve estar atento para agir, na dinâmica, de acordo com o cargo almejado.

“Lembre-se de que cada dinâmica tem um perfil diferente. Mesmo que a forma de apresentação seja similar à de outra empresa, o perfil a ser selecionado é diferente” – Regina Silva
“Esteja voltado para o propósito da dinâmica, assuma o personagem que o processo pede. É preciso estar bastante concentrado, saiba ouvir e falar na hora certa” – Silvio Celestino
Bom humor é fundamental
Medo e insegurança podem muitas vezes acompanhar o candidato durante o processo. Driblar esses obstáculos com humor pode fazer a diferença nos resultados.

“O bom humor deve estar sempre presente na dinâmica de grupo, até para ajudar a evitar ou minimizar a natural tensão, comum a toda situação competitiva. No entanto, se por um lado a dinâmica deve manter um clima e um contexto necessariamente lúdico, por outro não deve jamais ser conduzida como brincadeira inconseqüente ou como diversão dos facilitadores.” – Floriano Serra
Tenha clareza ao falar
Saber expressar-se é fundamental para ser bem compreendido e bem visto pelos recrutadores.

“O candidato precisa ter desenvoltura, clareza e boa comunicação, sem ser prolixo. Explanar direito suas idéias não é falar difícil, e sim ter clareza e dicção. O uso de gírias não é nada adequado, claro” – Aparecida Fonseca de Carvalho, coordenadora de Recursos Humanos da TMKT.
Não exagere na auto-promoção
Exibicionismos não são nada bem-vindos durante o processo.

“Ao falar de si, você deve discorrer sobre suas competências técnicas, somente. As habilidades comportamentais já estão sendo observadas de acordo com suas atitudes” – Carla Dalla Zanna
Cuidado com a sedução
“Jeitinho brasileiro” e manipulação só contam pontos negativos.

“Ser pró-ativo não significa ser falante e usar de sedução. O recrutador tem capacidade para ler os sinais que a pessoa envia. Você deve ser agradável, mas não político, usando de manipulação para convencer os outros” – Carla Dalla Zanna

Mantenha a auto-estima intacta ao término do processo
Independentemente do resultado, esteja certo de que a experiência foi positiva para você.

“Após uma dinâmica – e, de resto, após qualquer processo seletivo – não há vencidos e vencedores, ganhadores e perdedores, melhores nem piores. O que todo processo seletivo visa é identificar o candidato que possua um perfil pessoal e profissional mais próximo e adequado ao perfil da vaga que se busca preencher. Um candidato que não ganhe a vaga pode ter o perfil ideal para outra, na mesma ou em outra empresa. Isso deve ficar muito claro para que nenhum candidato saia do processo com sua auto-estima abalada” – Floriano Serra.

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